Agosto 19, 2008 by pjresende
Por conta do meu trabalho, tenho visitado várias cidades brasileiras, em todas as regiões do país.
Qualquer um que passe por experiência parecida certamente é tentado a teorizar sobre algum aspecto cultural, social ou econômico comum a todos os lugares. Apesar de eu ser um desses, não vou fazê-lo aqui.
Mas preciso registrar o quanto é maravilhosa a experiência de ir a vários lugares e perceber que, em todo o Brasil, há gente determinada a melhorar a sua atividade empresarial, a sua sociedade e, em última instância, o nosso país.
Há que se celebrar uma coisa assim, uma capacidade de respeitar as limitações mas, mesmo assim, querer superá-las. Quanto mais eu viajo, mais exemplos como esse eu encontro. Me traz a idéia reconfortante de que o Brasil não é imenso somente nas medidas, mas também nas potencialidades. Aliás, me parece que, a cada dia, encontro mais gente que está a um passo de dar o grande salto.
Torço por todos.
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Julho 27, 2008 by pjresende
A campanha para as eleições municipais no Rio já está nas ruas. A despeito da proibição de certas formas de propaganda, grande parte dos candidatos usam e abusam de formas irregulares de divulgação de suas “nobres” campanhas.
Agora, pensemos: se um candidato ou candidata despreza a Lei desde a campanha, como vamos esperar que seja a sua conduta caso seja eleito?
Vale a pena pensar a respeito.
Etiquetas: campanha municipal
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Julho 25, 2008 by pjresende
Eu era pequeno quando assisti à notícia sobre a morte do Chacrinha, o grande Abelardo Barbosa. Foi a primeira vez que compreendi o que era a morte. Para um garoto de quatro anos, que contava com a diversão que o Cassino do Chacrinha oferecia entre atrações musicais e piadas de salão, saber que o final-de-semana seguinte não teria aquela alegria foi um golpe duro.
Foi a primeira vez que chorei pela morte de alguém.
Hoje, assistindo à biografia do Velho Guerreiro, entendo que o choro não foi só meu. Ao perceber que ele fora o primeiro apoiador da carreira de tanta gente, ao saber que ele era o grande protetor de muita gente, percebo que a minha expressão de dor foi só uma gota, uma pequena gota no choro de todo um país.
E a pergunta “quem vai ser quando ele não for mais?” permanece sem resposta.
Depois de cinqüenta anos de riso, um dia de choro marcou a partida dele.
Etiquetas: chacrinha
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Junho 30, 2008 by pjresende
Já há algum tempo, a imprensa tem denunciado indícios de desmonte e degeneração do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA. A situação já foi abordada na revista Veja, agora recebe o comentário de Elio Gaspari.
Pois bem: o Instituto que foi criado nos tempos da Ditadura e passou incólume por algumas gestões presidenciais agora, segundo afirmam, padece sob o jugo de aliados e amigados do Governo Federal. A interferência atua sobre a Direção, as esquipes técnicas e, agora, até sobre os métodos de divulgação das pesquisas que eles ainda têm a autorização de divulgar.
Algumas humildes contribuições para a discussão:
1 - Em um governo que tem a virtude de cooptar seus opositores com cargos e pactos, sempre é salutar aos cérebros privilegiados que haja algum tipo de blindagem que lhes permita pensar em paz, para que possam trazer à tona algumas ponderações relevantes. Parece que o corpo técnico do IPEA perdeu esse tipo de proteção;
2 - Se as preocupações expressas na revista Veja e no Globo forem pertinentes, o governo demonstra mau-gosto no que se refere à orientação dos rumos do IPEA. Talvez Mangabeira Unger fosse melhor como oposicionista;
3 - Aliás, Mangabeira Unger tem colecionado más contribuições para o segundo mandato de Lula. Nem a pesquisa econômica, nem a Amazônia podem com ele;
4 - O IPEA possui um quadro técnico que conta com cerca de 300 economistas, fortemente instrumentados para que possam pensar nos rumos do país. Vale a pena prejudicar a capacidade que têm de contribuir para a nossa Nação?
Para quem viu no cinema, remeto ao filme 300 de Esparta. o resumo da história: 300 soldados espartanos se mobilizam para o combate contra um contingente de mais de um milhão de soldados do império Persa. Obviamente, não estou aqui sugerindo que haja uma insurreição no Instituto contra os “novos rumos” da história. Mas talvez venha a ser útil que divulgassem algum documento onde fosse possível entender o que eles pensam a respeito do quadro. E se eles enxergarem horizontes mais promissores com essas mudanças recentes, que possam trabalhar sossegados.
Etiquetas: IPEA
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Maio 1, 2008 by pjresende
Que período infeliz, esse que a imprensa nacional vive. A sensação mais forte que tenho é a de que falta assunto a ser tratado nos jornais. O caso Isabella, por exemplo, foi alçado ao status de um “big brother na vida real”, tamanha a exposição e o sensacionalismo a ele conferido. O recente escândalo do (ex?) jogador Ronaldo Fenômeno se transformou numa novela de relacionamentos desfeitos e projeção “merchandisica” do travesti que protagonizou o episódio. Assim como esses, outros assuntos tem sido repetidos à exaustão, ocupando todos os jornais de todas as emissoras e editoras do mercado.
Em relação ao caso da menina, o que causa tamanha comoção? Seria a morte de uma criança? Certamente não. O Brasil, infelizmente, tem estatísticas relevantes de casos de violência infantil, muitas vezes realizada pelos próprios pais das vítimas. Talvez toda a repercussão se dê pelo fato dos principais suspeitos do assassinato serem, além de pai e madrasta da criança, cidadãos instruídos da classe média paulistana. Enfim, “gente de bem”. Essa visão explicitaria, novamente, a questão do preconceito social no país: as mortes na periferia e no interior não merecem tanto foco quanto um crime ocorrido no mundo das pessoas “centrais”…
Mas não me parece ser isso: insisto que é sinal da exaustão temporária da nossa imprensa. As mesmas coisas são repetidas de forma mecânica nos jornais matutinos, vespertinos e noturnos. Pautas são montadas para que, em todo um telejornal, seja reafirmado que não houve nenhuma novidade desde a edição anterior.
Essa aparente deficiência de pauta pode ser, na verdade, reflexo de decisões editoriais que se concentram naquilo que sabem que “dá IBOPE“. Mais do mesmo, para garantir o prezado anunciante. Nada contra. Mas, para o bem da imprensa e da sociedade, seria de muito bom grado reservar uma pequena fração dos noticiários para temas emergentes. A diversidade enriquece e evita que se formem arquétipos sobre o que somos ou deixamos de ser.
Enquanto todos se concentrarem naquilo que já foi explorado à exaustão, sobre o que já não há mais nada a dizer, viveremos essa realizade: com a palavra, os mudos.
Etiquetas: imprensa
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Julho 13, 2007 by pjresende
Continua o drama: desde o acidente com o avião da GOL, o Brasil mergulhou numa crise aérea ainda sem solução.
Mas, pior do que sentir na pele os efeitos dos atrasos dos vôos é constatar que o governo, longe de articular uma solução rápida, evidencia o despreparo para lidar com uma situação. Vejamos:
- Waldir Pires, Ministro da Defesa: não solucionou a questão, já esteve com a cabeça a prêmio e não consegue dizer outra coisa além de que a crise aérea será solucionada “em breve” (esse “em breve” se arrasta desde o ano passado);
- Marta Suplicy, Ministra do Turismo: afirmou que o turista, frente aos atrasos dos vôos, tem que “relaxar e gozar”;
- Lula, Presidente do Brasil: disse que o brasileiro tem mania de reclamar
- Guido Mantega, Ministro da Fazenda: disse que a crise aérea é sinal de prosperidade
Um detalhe: eles têm à disposição os aviões da FAB. Não precisam ficar esperando para o embarque em aviões que decolam com horas de atraso.
Se eles falassem menos, talvez a insatisfação fosse menor.
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Junho 26, 2007 by pjresende
Enquanto o senador Renan Calheiros dança à beira de um abismo, espalhando documentos pouco esclarecedores como se fossem confetes vigorosamente lançados por foliões de carnaval, faz falta um bravo que formalize que há algo de podre no reino da Dinamarca.
Três senadores já ocuparam a relatoria. Outros já saíram de fininho. Resta ainda a responsabilidade da Comissã responsável por investigar se houve quebra de decoro por parte de Renan. Mas a relatoria permanece vaga. Parece que a função causa mal-estar.
O ponto é que o relator, seja quem for, estará sobre o fio de uma navalha: se concluir que houve irregularidade, contraria a vontade da cúpula governista; se, por outro lado, pede o arquivamento do proceso, será alvode saraivada de petardos da opinião pública, da impresna, talvez até dos vizinhos.
Enquanto a elite política debate a sobrevida do senador boiadeiro, o povo assiste, pasmo e impotente, aos novos e absurdos capítulos dessa estranha novela.
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Junho 15, 2007 by pjresende
Eu confesso: apesar de não ser tricolor, é indisfarçável a minha simpatia pela torcida do Fluminense.
Freqüentemente, circulo pelas imediações do Maracanã durante o final-de-semana. Sem querer desmerecer os torcedores dos demais times, mas o que mais me impressiona no público do Fluminense é o nível de boa educação da torcida. Raramente, presenciei tumultos na entrada ou saída dos jogos.
Na época em que eu cursava a faculdade à noite, muito próximo ao Maraca, era comum, mesmo na época de decisão do campeonato carioca, ver uma quantidade enorme dos seus torcedores uniformizados circulando pelos arredores com toda a tranqüilidade, sem sequer atrapalhar as aulas noturnas. Crianças de colo, com a camisa do time, fazem parte do público seleto que comemora as vitória ou lamenta, cabisbaixo e sem fazer quebra-quebra, quando o time leva a pior.
Se esse nível de civilidade fosse o padrão do comportamento para todos os torcedores cariocas, o nosso futebol seria um espetáculo ainda mais grandioso. Além disso, não seria necessário que o governo investisse recursos em campanhas publicitárias pedindo, encarecidamente, que os freqüentadores do Maracanã preservem o patrimônio do estado. Aliás, a respeito disso, foi realmente uma tristeza ouvir o secretário de esportes do Estado afirmar em entrevista que, a cada jogo no Maracanã, dezenas de cadeiras são quebradas, acarretando despesas de substituição.
Parabéns à torcida tricolor. Espero que outras tantas, em breve, possam ser elogiadas pela mesma razão.
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Abril 20, 2007 by pjresende
Nos últimos dias, a população do Rio de Janeiro tem assitido a uma série de relatos de problemas no sistema de transportes: 7 incidentes nas barcas em um mês; a exibição de uma série de reportagens sobre a superlotação no Metrô (produzida pela Rede Globo); isso sem contar os inúmeros engarrafamentos que ocorrem em pontos críticos como a Avenida Brasil, a Alameda São Boaventura, rua Riachuelo e outras vias de escoamento do tráfego de carros.
Por que razão os meios de transporte passam a apresentar, simultaneamente, deficiências e mais deficiências? Seria a “síndrome do espaço aéreo” atacando em outras bandas? Talvez o efeito derradeiro das águas de março (que não caíram aqui pelo Rio, dada a estiagem que se abateu sobre nós)…
Provavelmente não foi nenhuma das duas suspeitas acima. Pode ser que, pela primeira vez, o tema “qualidade dos transportes no Rio” tenha alcançado a visibilidade necessária para virar pauta para a imprensa. O Metrô já apresenta problemas de lotação há mais de um ano, desde que as integrações começaram a proliferar por todos os cantos. As barcas têm um “vizinho castrador”, chamado Catamarã, que servem de freio para o processo de modernização dos serviços (quem duvida disso pode verificar que as duas barcas novas, que fazem o trajeto Rio-Niterói em 12 minutos, não circulam nos horários de saída dos “jumbocats” e similares).
Quando os serviços de transporte público, de um modo geral, apresentam deficiências generalizadas, resta aos bem-afortunados utilizar o carro no deslocamento casa-trabalho. O resultado disso é o aumento do número de veículos circulantes, o que resulta em congestionamentos, o que por fim causa a redução da velocidade média e assim compromete as linhas de ônibus. Se os trens também apresentarem problemas, será o caos generalizado.
O governo do Estado já anunciou a intenção de ampliar o trajeto da linha 2 do Metrô até o seu destino originalmente planejado, que é a estação Carioca. As barcas estão sob ameaça de intervenção. Parece que as coisas vão entrar nos eixos em breve. Aliás, foi um momento bastante propício para essa crise alcançar tamanha grandeza: o BNDES acaba de trocar de comando. Quem sabe assim não se viabilizam financiamentos para a melhoria dos transportes existentes, quem sabe a implantação do VLT…
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Abril 17, 2007 by pjresende
Quando as pessoas perdem o sentido da finalidade do dinheiro, e passam a buscá-lo apenas com o objetivo da acumulação irrestrita, chegamos a um perigoso limiar: seja no campo das atividades lícitas ou na vida criminosa, o fato de uma ou outra pessoa se importar primordialmente com o quanto vai ganhar, relegando a segundo plano questões que afetam a coletividade, é sinal grave de doença moral.
Os deputados são acusados de legislarem em causa própria, discutinddo os reajustes do sálario, da verba de gabinete etc. Os traficantes corrompem e matam, e prestam o péssimo “desserviço” à sociedade de mostrarem a todos a riqueza que obtêm de suas atividades. Juízes e desembargadores corruptos vendem sentenças a clientes poderosos. Estelionatários se fazem passar por representantes de empresas públicas e privadas para extorquirem dinheiro de pessoas crédulas.
Quando a ganância é tamanha nos meios público, privado e marginal, começo a me preocupar com os rumos do país e do mundo.
Por onde devemos começar a faxina?
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