Já há algum tempo, a imprensa tem denunciado indícios de desmonte e degeneração do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA. A situação já foi abordada na revista Veja, agora recebe o comentário de Elio Gaspari.
Pois bem: o Instituto que foi criado nos tempos da Ditadura e passou incólume por algumas gestões presidenciais agora, segundo afirmam, padece sob o jugo de aliados e amigados do Governo Federal. A interferência atua sobre a Direção, as esquipes técnicas e, agora, até sobre os métodos de divulgação das pesquisas que eles ainda têm a autorização de divulgar.
Algumas humildes contribuições para a discussão:
1 - Em um governo que tem a virtude de cooptar seus opositores com cargos e pactos, sempre é salutar aos cérebros privilegiados que haja algum tipo de blindagem que lhes permita pensar em paz, para que possam trazer à tona algumas ponderações relevantes. Parece que o corpo técnico do IPEA perdeu esse tipo de proteção;
2 - Se as preocupações expressas na revista Veja e no Globo forem pertinentes, o governo demonstra mau-gosto no que se refere à orientação dos rumos do IPEA. Talvez Mangabeira Unger fosse melhor como oposicionista;
3 - Aliás, Mangabeira Unger tem colecionado más contribuições para o segundo mandato de Lula. Nem a pesquisa econômica, nem a Amazônia podem com ele;
4 - O IPEA possui um quadro técnico que conta com cerca de 300 economistas, fortemente instrumentados para que possam pensar nos rumos do país. Vale a pena prejudicar a capacidade que têm de contribuir para a nossa Nação?
Para quem viu no cinema, remeto ao filme 300 de Esparta. o resumo da história: 300 soldados espartanos se mobilizam para o combate contra um contingente de mais de um milhão de soldados do império Persa. Obviamente, não estou aqui sugerindo que haja uma insurreição no Instituto contra os “novos rumos” da história. Mas talvez venha a ser útil que divulgassem algum documento onde fosse possível entender o que eles pensam a respeito do quadro. E se eles enxergarem horizontes mais promissores com essas mudanças recentes, que possam trabalhar sossegados.
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