O Velho Guerreiro

By pjresende

Eu era pequeno quando assisti à notícia sobre a morte do Chacrinha, o grande Abelardo Barbosa. Foi a primeira vez que compreendi o que era a morte. Para um garoto de quatro anos, que contava com a diversão que o Cassino do Chacrinha oferecia entre atrações musicais e piadas de salão, saber que o final-de-semana seguinte não teria aquela alegria foi um golpe duro.

Foi a primeira vez que chorei pela morte de alguém.

Hoje, assistindo à biografia do Velho Guerreiro, entendo que o choro não foi só meu. Ao perceber que ele fora o primeiro apoiador da carreira de tanta gente, ao saber que ele era o grande protetor de muita gente, percebo que a minha expressão de dor foi só uma gota, uma pequena gota no choro de todo um país.

E a pergunta “quem vai ser quando ele não for mais?” permanece sem resposta.

Depois de cinqüenta anos de riso, um dia de choro marcou a partida dele.

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