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Esse Imenso Brasil

Agosto 19, 2008

Por conta do meu trabalho, tenho visitado várias cidades brasileiras, em todas as regiões do país.

Qualquer um que passe por experiência parecida certamente é tentado a teorizar sobre algum aspecto cultural, social ou econômico comum a todos os lugares. Apesar de eu ser um desses, não vou fazê-lo aqui.

Mas preciso registrar o quanto é maravilhosa a experiência de ir a vários lugares e perceber que, em todo o Brasil, há gente determinada a melhorar a sua atividade empresarial, a sua sociedade e, em última instância, o nosso país.

Há que se celebrar uma coisa assim, uma capacidade de respeitar as limitações mas, mesmo assim, querer superá-las. Quanto mais eu viajo, mais exemplos como esse eu encontro. Me traz a idéia reconfortante de que o Brasil não é imenso somente nas medidas, mas também nas potencialidades. Aliás, me parece que, a cada dia, encontro mais gente que está a um passo de dar o grande salto.

Torço por todos.

Com a palavra, os mudos

Maio 1, 2008

Que período infeliz, esse que a imprensa nacional vive. A sensação mais forte que tenho é a de que falta assunto a ser tratado nos jornais. O caso Isabella, por exemplo, foi alçado ao status de um “big brother na vida real”, tamanha a exposição e o sensacionalismo a ele conferido. O recente escândalo do (ex?) jogador Ronaldo Fenômeno se transformou numa novela de relacionamentos desfeitos e projeção “merchandisica” do travesti que protagonizou o episódio. Assim como esses, outros assuntos tem sido repetidos à exaustão, ocupando todos os jornais de todas as emissoras e editoras do mercado.

Em relação ao caso da menina, o que causa tamanha comoção? Seria a morte de uma criança? Certamente não. O Brasil, infelizmente, tem estatísticas relevantes de casos de violência infantil, muitas vezes realizada pelos próprios pais das vítimas. Talvez toda a repercussão se dê pelo fato dos principais suspeitos do assassinato serem, além de pai e madrasta da criança, cidadãos instruídos da classe média paulistana. Enfim, “gente de bem”. Essa visão explicitaria, novamente, a questão do preconceito social no país: as mortes na periferia e no interior não merecem tanto foco quanto um crime ocorrido no mundo das pessoas “centrais”…

Mas não me parece ser isso: insisto que é sinal da exaustão temporária da nossa imprensa. As mesmas coisas são repetidas de forma mecânica nos jornais matutinos, vespertinos e noturnos. Pautas são montadas para que, em todo um telejornal, seja reafirmado que não houve nenhuma novidade desde a edição anterior.

Essa aparente deficiência de pauta pode ser, na verdade, reflexo de decisões editoriais que se concentram naquilo que sabem que “dá IBOPE“. Mais do mesmo, para garantir o prezado anunciante. Nada contra. Mas, para o bem da imprensa e da sociedade, seria de muito bom grado reservar uma pequena fração dos noticiários para temas emergentes. A diversidade enriquece e evita que se formem arquétipos sobre o que somos ou deixamos de ser.

Enquanto todos se concentrarem naquilo que já foi explorado à exaustão, sobre o que já não há mais nada a dizer, viveremos essa realizade: com a palavra, os mudos.

A Patota Boquirrota

Julho 13, 2007

Continua o drama: desde o acidente com o avião da GOL, o Brasil mergulhou numa crise aérea ainda sem solução.

Mas, pior do que sentir na pele os efeitos dos atrasos dos vôos é constatar que o governo,  longe de articular uma solução rápida, evidencia o despreparo para lidar com uma situação. Vejamos:

- Waldir Pires, Ministro da Defesa: não solucionou a questão, já esteve com a cabeça a prêmio e não consegue dizer outra coisa além de que a crise aérea será solucionada “em breve” (esse “em breve” se arrasta desde o ano passado);

- Marta Suplicy, Ministra do Turismo: afirmou que o turista, frente aos atrasos dos vôos, tem que “relaxar e gozar”;

-  Lula, Presidente do Brasil: disse que o brasileiro tem mania de reclamar

- Guido Mantega, Ministro da Fazenda: disse que a crise aérea é sinal de prosperidade

Um detalhe: eles têm à disposição os aviões da FAB. Não precisam ficar esperando para o embarque em aviões que decolam com horas de atraso.

Se eles falassem menos, talvez a insatisfação fosse menor.

Quem vai dar o Empurrãozinho?

Junho 26, 2007

Enquanto o senador Renan Calheiros dança à beira de um abismo, espalhando documentos pouco esclarecedores como se fossem confetes vigorosamente lançados por foliões de carnaval, faz falta um bravo que formalize que há algo de podre no reino da Dinamarca.

Três senadores já ocuparam a relatoria. Outros já saíram de fininho. Resta ainda a responsabilidade da Comissã responsável por investigar se houve quebra de decoro por parte de Renan. Mas a relatoria permanece vaga. Parece que a função causa mal-estar.

O ponto é que o relator, seja quem for, estará sobre o fio de uma navalha: se concluir que houve irregularidade, contraria a vontade da cúpula governista; se, por outro lado, pede o arquivamento do proceso, será alvode saraivada de petardos da opinião pública, da impresna, talvez até dos vizinhos.

Enquanto a elite política debate a sobrevida do senador boiadeiro, o povo assiste, pasmo e impotente, aos novos e absurdos capítulos dessa estranha novela.

A Indisfarçavel Simpatia pela Torcida do Fluminense

Junho 15, 2007

Eu confesso: apesar de não ser tricolor, é indisfarçável a minha simpatia pela torcida do Fluminense.

Freqüentemente, circulo pelas imediações do Maracanã durante o final-de-semana. Sem querer desmerecer os torcedores dos demais times, mas o que mais me impressiona no público do Fluminense é o nível de boa educação da torcida. Raramente, presenciei tumultos na entrada ou saída dos jogos.

Na época em que eu cursava a faculdade à noite, muito próximo ao Maraca, era comum, mesmo na época de decisão do campeonato carioca, ver uma quantidade enorme dos seus  torcedores uniformizados circulando pelos arredores com toda a tranqüilidade, sem sequer atrapalhar as aulas noturnas. Crianças de colo, com a camisa do time, fazem parte do público seleto que comemora as vitória ou lamenta, cabisbaixo e sem fazer quebra-quebra, quando o time leva a pior.

Se esse nível de civilidade fosse o padrão do comportamento para todos os torcedores cariocas, o nosso futebol seria um espetáculo ainda mais grandioso. Além disso, não seria necessário que o governo investisse recursos em campanhas publicitárias pedindo, encarecidamente, que os freqüentadores do Maracanã preservem o patrimônio do estado. Aliás, a respeito disso, foi realmente uma tristeza ouvir o secretário de esportes do Estado afirmar em entrevista que, a cada jogo no Maracanã, dezenas de cadeiras são quebradas, acarretando despesas de substituição.

Parabéns à torcida tricolor. Espero que outras tantas, em breve, possam ser elogiadas pela mesma razão.

O Caos no Trânsito no Rio de Janeiro

Abril 20, 2007

Nos últimos dias, a população do Rio de Janeiro tem assitido a uma série de relatos de problemas no sistema de transportes: 7 incidentes nas barcas em um mês; a exibição de uma série de reportagens sobre a superlotação no Metrô (produzida pela Rede Globo); isso sem contar os inúmeros engarrafamentos que ocorrem em pontos críticos como a Avenida Brasil, a Alameda São Boaventura, rua Riachuelo e outras vias de escoamento do tráfego de carros.

Por que razão os meios de transporte passam a apresentar, simultaneamente, deficiências e mais deficiências? Seria a “síndrome do espaço aéreo” atacando em outras bandas? Talvez o efeito derradeiro das águas de março (que não caíram aqui pelo Rio, dada a estiagem que se abateu sobre nós)…

Provavelmente não foi nenhuma das duas suspeitas acima. Pode ser que, pela primeira vez, o tema “qualidade dos transportes no Rio” tenha alcançado a visibilidade necessária para virar pauta para a imprensa. O Metrô já apresenta problemas de lotação há mais de um ano, desde que as integrações começaram a proliferar por todos os cantos. As barcas têm um “vizinho castrador”, chamado Catamarã, que servem de freio para o processo de modernização dos serviços (quem duvida disso pode verificar que as duas barcas novas, que fazem o trajeto Rio-Niterói em 12 minutos, não circulam nos horários de saída dos “jumbocats” e similares).

Quando os serviços de transporte público, de um modo geral, apresentam deficiências generalizadas, resta aos bem-afortunados utilizar o carro no deslocamento casa-trabalho. O resultado disso é o aumento do número de veículos circulantes, o que resulta em congestionamentos, o que por fim causa a redução da velocidade média e assim compromete as linhas de ônibus. Se os trens também apresentarem problemas, será o caos generalizado.

O governo do Estado já anunciou a intenção de ampliar o trajeto da linha 2 do Metrô até o seu destino originalmente planejado, que é a estação Carioca. As barcas estão sob ameaça de intervenção. Parece que as coisas vão entrar nos eixos em breve. Aliás, foi um momento bastante propício para essa crise alcançar tamanha grandeza: o BNDES acaba de trocar de comando. Quem sabe assim não se viabilizam financiamentos para a melhoria dos transportes existentes, quem sabe a implantação do VLT…

A Busca do Dinheiro pelo Dinheiro

Abril 17, 2007

Quando as pessoas perdem o sentido da finalidade do dinheiro, e passam a buscá-lo apenas com o objetivo da acumulação irrestrita, chegamos a um perigoso limiar: seja no campo das atividades lícitas ou na vida criminosa, o fato de uma ou outra pessoa se importar primordialmente com o quanto vai ganhar, relegando a segundo plano questões que afetam a coletividade, é sinal grave de doença moral.

Os deputados são acusados de legislarem em causa própria, discutinddo os reajustes do sálario, da verba de gabinete etc. Os traficantes corrompem e matam, e prestam o péssimo “desserviço” à sociedade de mostrarem a todos a riqueza que obtêm de suas atividades. Juízes e desembargadores corruptos vendem sentenças a clientes poderosos. Estelionatários se fazem passar por representantes de empresas públicas e privadas para extorquirem dinheiro de pessoas crédulas.

Quando a ganância é tamanha nos meios público, privado e marginal, começo a me preocupar com os rumos do país e do mundo.

Por onde devemos começar a faxina?

O Chapéu do Deputado

Abril 13, 2007

Muito se falou a respeito do ato normativo, apoiado pelo excelentíssimo deputado Arlinfo Chinaglia (pronuncia-se “Quinalha”), que instituiria uma espécie de “uniforme de deputado”: calça social, terno, gravata e nenhum adereço regional ou “exótico”.  Diz-se que a causa disso tudo é o chapéu de couro do Deputado Mão Branca, da Bahia, utilizado durante as sessões plenárias da Cãmara.

Nada mais absurdo, na minha humilde opinião. Se um distinto deputado entrasse no Congresso vestido com uma alegoria carnavalesca de escola de samba, seria plausível a irritação de Arlindo Chinaglia. Não é o fato. Seja por orgulho ou por extravagância, o Deputado Mão Branca porta um dos símbolos de identificação que traz com as suas origens e com o seu eleitorado. Não é um chapéu de halloween, é uma representação da rica cultura regional brasileira.

Creio que o Congresso seria muito mais integrado aos anseios populares se os seus ocupantes trajassem as roupas típicas de suas respectivas localidades de origem (desde que não houvessem trajes obscenos, obviamente). Arlindo Chinaglia gasta o tempo precioso da Câmara discutindo as roupas, perdendo a oportunidade de votar as medidas provisórias e os projetos de lei que ali se avolumam.

Por incrível que pareça, mas o mais sensato de todos os que opinaram sobre o assunto foi o deputado Clodovil, que alegou que o deputado não deveria usar chapéu num recinto coberto.  Aliás, não tão incrível assim: afinal de contas, trata-se de um estilista, um homem da moda. Talvez ele seja o único habilitado para a discussão do tema que Arlindo Chinaglia incluiu na gigantesca pauta de discussões do Congresso Nacional.

Começo de Conversa

Abril 13, 2007

Esse blog congrega de tudo. Tudo o que penso e sinto e que não cabe nos outros blogs que faço.

 Espero que gostem!